A tarde desta quarta-feira, 23, foi dedicada ao debate sobre a importância da transparência e do combate à corrupção na administração municipal, com o 1º Seminário Ética na Gestão Pública. A Prefeitura Municipal de Canoas, através da Controladoria Geral, idealizou o evento, que contou com a participação de grandes expoentes, além de secretários, adjuntos e servidores municipais, preenchendo os espaços do Salão de Atos do Unilasalle. Prestigiaram a abertura oficial o prefeito Jairo Jorge, a vice-prefeita Beth Colombo, o controlador geral Ivo Lech, o presidente da Câmara de Vereadores Cesar Mossini, a integrante da Comissão de Ética Pública Isabel Mattielo e o pró-reitor de Desenvolvimento do Unilasalle Luis Carlos Danese.
Na abertura, Lech destacou a legitimidade da iniciativa, momento que serve para pensar e estudar a eficácia da gestão pública em direção aos anseios dos cidadãos. "A Controladoria recebeu a incumbência de radicalizar a transparência na administração e na cidade de Canoas. Em 2009, foi montada a CGM e realizado o 1º Seminário de Controle Social e Transparência da Gestão Pública do Rio Grande do Sul. Agora, em meio às comemorações dos 71 anos da cidade, promovemos este grande evento, com quatro grandes pensadores", disse Lech, fazendo referência aos convidados Denis Rosenfield, professor de Filosofia da UFRGS, Aldo Fornazieri, doutor em Ciência Política pela USP, Lenio Streck, Procurador de Justiça do Estado do RS, e Geraldo da Camino, Procurador-Geral do Ministério Público de Contas do Estado do RS.
"Canoas frequentou noticiários porque foi o epicentro de um escândalo que achovalhou a cidade", lembrou o prefeito Jairo Jorge, que ainda ressaltou a necessidade de realização do Seminário. Para Jairo, a questão da corrupção preocupa e afeta todas as instâncias, não sendo um problema exclusivo do Brasil, mas mundial. "Como administração, temos a responsabilidade de debater junto a sociedade, e devemos enfrentar a corrupção de cinco formas: com transparência e acesso à informações; com controle social, e por isso a construção da Casa de Conselhos e da Comissão de Ética Pública; com procedimentos e regras, como o Decálogo Ético que criamos; com estruturas de controle que funcionam, e aqui temos a CGM; e com visibilidade ao tema de combate à corrupção, por ser um problema real", declarou o prefeito.
Na fala que abriu a série de palestras, o pensador Denis Rosenfield classificou como raro o fato de uma administração municipal discutir ética na política. De acordo com o professor, é uma lástima que a pauta tenha desaparecido, ainda mais após episódios fatídicos como os encabeçados por Collor, Maluf e como os chamados "mensalões". "Os comportamentos políticos se dão com exemplos, por isso essa iniciativa pode ser vista como louvável. A democracia vive da adesão do cidadão às suas instituições. Ele precisa acreditar na sua polícia, no seu prefeito".
Amanda Utzig Zulke