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Pelo menos 30 lideranças de comunidades religiosas afro-umbandistas e de entidades vinculadas ao segmento negro participaram, na noite desta sexta-feira (14), da Pré-conferência do Povo de Terreiro da Microrregião Região Centro/Estância Velha/Olaria/Marechal Rondon, na sede da Federação Afro-umbandista e Espiritualista do RS (FAUERS), no Bairro Fátima, Quadrante Sudeste da cidade.
Regulado por legislações estadual e municipal, o encontro se insere em um circuito de oito reuniões para o esclarecimento, o debate e a preparação para a I Conferência Regional do Povo de Terreiro do Vale do Sinos e Vale do Caí, que se realizada em Canoas, no dia 26 de fevereiro.
O encontro desta sexta-feira foi aberto pelo coordenador municipal de Políticas para a Diversidade de Canoas, Rogério Ambieda (o Tigre), que expôs aos presentes um panorama histórico da construção da conferência e da dinâmica de sua realização.
Superar o preconceito
Ao abordar a questão do preconceito contra as religiões de matriz africana, Tigre destacou o protagonismo de Canoas e relacionou a questão do preconceito religioso com os objetivos da conferência e da afirmação de direitos. "Ainda há municípios no Rio Grande do Sul em que terreiros têm suas portas pedaladas, sem mandato judicial. A política do Povo de Terreiro é também uma política de reparação à dívida histórica que o Estado tem os povos de matriz africana", considera.
O presidente da FAUERS destacou avanços no segmento afro-umbandista e a referência que Canoas tem conquistado, a partir desta entidade. Ele também citou casos de consultas e pedidos de informações que a Justiça tem feito à FAUERS, em casos de litígios e reclamatórias, envolvendo o segmento afro-umbandista, como demonstração de que a entidade tem conquistado credibilidade pública. Referindo-se ao trabalho social que esta federação realiza no Estado, ele afirmou a necessidade de os terreiros ocuparem mais espaço na sociedade. "Os terreiros precisam ir para a rua", afirma.
O vereador Paulo Ambieda (Paulinho D' Odé), primeiro coordenador municipal de Diversidades do Município, enumerou conquistas que a comunidade afro-brasileira realizou, nas últimas décadas, como a Lei 10.639, que prevê a inclusão, no currículo oficial da Rede de Ensino, a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". Ele também citou avanços no Município para o segmento religioso de matriz africana, como a recente inauguraçaõ da escultura Mãe das Águas, na Prainha do Paquetá.
Participaram da reunião, o Pai Jorge de Ogum e outros pais e mães de santo daquela localidade. Entre as lideranças do movimento negro, compareceram à pré-conferencia a líder do quilombo urbano Chácara das Rosas, Isabel Genelício, e a presidente da Associação das Mulheres Negras de Canoas (AMUNECA), Carla Adriane Mendes Marques.
Próximas pré-conferências microrregionais
Dia 17, 19h
Microrregião Matias
Local: Rua Cuibá 297, Bairro Matias Velho (Ilê de Yemanjá de Pai Jorge de Yemanjá)
Dia 18, 19h
Microrregião Guajuviras/Igara/São José
Local: Rua 72 Setor 4b, 528, Bairro Guajuviras (Ylê dos Orixás SABYO de Pai Jorge Grinã)
Dia 19, 19h
Microrregião Harmonia/ Porto Belo/ Cinco Colônias/ Vila Cerne/Sto Operário/ Central Parque
Local: Rua Santo Antônio dos Pobres, 196, Vila Santo Operário (Ylê de Oxalá de Pai Julio de Oxalá)
Saiba mais:
As Pré Conferências nas Micro Regiões do Município de Canoas realizam-se entre os dias 10 e 19 de fevereiro. No período, e até a realização da Conferência, serão articuladas agendas, reuniões e também pré-conferências nos municípios da Região do Sinos e Vale do Caí.
A I Conferência Regional do Povo de Terreiro do Vale dos Sinos e Vale do Caí será relizada no dia 26 de fevereiro de 2014, com o tema "A Matriz Africana e seus Pressupostos Civilizatórios". O encontro será presidido pela Coordenadoria de Políticas das Diversidades do Município de Canoas.
A conferência regional é preparatória à I Conferência Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, convocada para março deste ano, pelo Decreto 50.932, de 27 de novembro de 2013.
Canoas foi cidade pioneira na criação de uma coordenadoria de Diversidades, em Janeiro de 2009.
Ao instituir, em maio do ano passado, o Comitê Estadual do Povo de Terreiro, o RS se destacou como o primeiro da União a criar o colegiado, que tem a função de propor um programa de implementação de políticas públicas para as populações de ascendência africana. Conforme dados do IBGE, há hoje 65 mil terreiros no RS.
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