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A noite de sexta-feira foi de homenagens a antigos tamboreiros e celebração da música e das religiões de matriz africana no palco do Salão de Atos do Unilasalle. Realizado pela Coordenadoria Municipal de Políticas das Diversidades com a parceria da Pastoral da Juventude do Unilasale, o evento fez parte da programação do Mês da Consciência Negra da instituição de ensino.
Na abertura, a prefeita em exercício, Beth Colombo, destacou a importância de se respeitar a diversidade. "O Estado é laico. Isso não significa que ele seja ateu. Significa que ele é parceiro e respeita toda e qualquer manifestação religiosa e de fé. Sabemos das dificuldades que nossos terreiros já tiveram aqui mesmo em Canoas. Não vamos esconder que, ainda hoje, vivem dificuldades de entendimento e de compreensão de alguns. Mas é visível que essa história vem mudando por momentos como este. Somos irmãos, independentemente de nossa cor, de nossa fé, de nossa sexualidade, do que cada um pensa e quer para si", declarou Beth.
De acordo com o secretário especial das Diversidades, Rogério Ambieda, o Tigre, o objetivo do Encontro de Alabês é valorizar o tamboreiro e seus instrumentos considerados sagrados em muitas culturas. "Queremos também valorizar a diversidade religiosa, dar mais visibilidade a estas pessoas que têm papel fundamental nas religiões de matriz africana e difundir a arte perpetuada na cultura africana", disse Tigre.
Grupo do Pará
A primeira atração da noite foi a apresentação do grupo Samba de Cacete da Vacaria, dentro do Projeto Sonora Brasil, realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), com apoio da Secretaria Municipal da Cultura, do Sindilojas e do Sindigêneros. Formado por pessoas que mantém relações familiares e de vizinhança, e que participam regularmente de atividades sociais onde se pratica o samba de cacete, seus integrantes são moradores da zona rural da cidade de Cametá, no Pará, e vivem da produção agrícola.
Durante uma hora, os tamboreiros, as cantadeiras/sambadeiras e o percussionista deram uma amostra de sua cultura, de sua música - toda acompanhada por instrumentos artesanais - e de sua dança. No final da apresentação, o público pôde subir no palco para aprender um pouco da dança. Ainda foi aberto um espaço para que as pessoas fizessem pergunta aos paraenses.
Logo depois, o Fórum Ilú Asé se apresentou fazendo a Saudação à Ancestralidade, quando foram entoados cantos para 12 orixás. Durante as músicas, a figura, o arquétipo e a simbologia de cada um dos orixás foram apresentadas.
Em seguida, foi a vez de aprendiz Pai Júlio de Oxalá e Mestre Dentinho fazerem a contação de história "Caminho de Preto". A apresentação contou a história de Pai Benedito, negro escravo que veio em navios da África, trazendo seus costumes de rezas e chás e mantendo vivas as tradições de sua terra natal.
O professor Jonas Camargo, do Unilasalle, na seqüência, apresentou o Projeto Griô, voltado ao resgate da história, da memória e da cultura das comunidades tradicionais de matriz africana e indígena, por meio de histórias orais contadas pelos mais antigos. Esses relatos são gravados em áudio e transcritos para a internet para que o conhecimento gerado pelos ancestrais seja difundido.
Troféus a Pai Ricardo e Pai Xamin
No momento mais importante da noite, foram homenageados dois antigos tamboreiros (alabês): Pai Ricardo de Xangô Agodô, de Canoas; e Pai Xamim de Xangô Aganjú, de Porto Alegre. Os dois, que receberam troféus, tocam tambor desde criança e transmitiram seus conhecimentos a muitas gerações.
Para finalizar, os alabês uniram-se no palco para entoar cânticos contextualizados com períodos da história: Navio Negreiro, que fala do período do tráfico de negros e a vinda dos africanos escravizados para o Brasil; Mãe Preta, que fala do sofrimento na senzala e sobre a escravidão; Coroação de Maria Conga, que trata dos valores civilizatórios dos negros e suas tradições trazidas com eles; e Negro Clama a Liberdade, que fala sobre a libertação dos escravos.
O último ato foi um tributo a Pai Ricardo e Pai Xamin, comandado pelo vereador Paulinho de Odé, que chamou ao palco todos os alabês que estavam no Salão de Atos do Unilasalle. "Homenageamos os mais velhos para que sirva de exemplo para os mais novos. Porque se você não sabe de onde veio, não sabe onde está e para onde vai", disse o vereador.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234