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Ireno Jardim Matr:5963
Festividade proporcionou esclarecimentos sobre a história da Umbanda
O lema da Umbanda, "Amor, Verdade e Justiça", emanou vibrações positivas em um axé de muita paz e união, marcando a 10ª Comemoração do Dia Municipal de Oxóssi e Zélio Fernandino de Moraes, em Canoas. O evento ocorreu neste domingo (25), a partir das 16h, no Parque Getúlio Vargas, o Capão do Corvo. Aberto ao público, foi organizado pela Coordenadoria Municipal de Políticas das Diversidades e Comunidades Tradicionais (CMPDCT).
"Oxóssi, Oxóssi, que é o Rei lá das matas...". Ao som de cantos e tambores, homenageando as entidades de Aruanda, a festividade proporcionou esclarecimentos sobre a história da Umbanda, única religião de origem brasileira, com caboclos, índios, pretos velhos e falanges que praticam o amor e a caridade. Pai Júlio de Oxalá, com vestimentas indígenas, contou uma das lendas de Oxóssi, o caçador, o Rei das Matas.
Troféu
O Troféu Patriarca da Umbanda, comemorativo às edições do evento, foi entregue à Mãe Carmem da Cabocla Iara, Mãe Nete de Oxum, Mãe Silvina de Ogum e Oiá, e Pai Mozart de Iemanjá.
Houve também sorteio de brindes, todos símbolos de entidades da Umbanda (ferramentas, instrumentos, lanças, âncoras, cocares, livros sobre a história da religião umbandista, etc.).
Todas as religiões
Conforme o prefeito Jairo Jorge, "esse é um dia muito especial para todos nós, que homenageamos a Umbanda, única religião genuinamente brasileira". Parabenizou os homenageados e entregou o Troféu Patriarca da Umbanda. "Canoas é uma cidade de todas as religiões; e também daqueles que não têm religião. É uma cidade de todos, que sabe respeitar a fé e as convicções de cada um. Reconhece no outro o direito de ele ter as suas ideias, de ter a sua fé, a sua religião", enfatizou o prefeito.
Jairo Jorge também destacou que Canoas é a cidade da democracia, do respeito e da tolerância. "Nós acreditamos na paz e temos fé, por isso precisamos pregar a tolerância e o respeito. A intolerância, muitas vezes, nasce no coração de homens e mulheres que não aceitam o outro, o direito que tem cada um de professar a sua fé. Prefiro os tambores na noite que o choro das mães que lamentam a morte de seus filhos. É nos templos que encontramos as famílias, que nos reunimos e buscamos as nossas origens. Seja em qual for a religião, eu tenho certeza que temos que ter uma cidade de todos", assegurou o prefeito.
Legado
"Deixaremos um legado, que é o Parque da Paz e Fé, para a Umbanda e para as religiões de matriz africana. Um lugar de respeito, de celebração, um local onde todos nós possamos ser reconhecidos por aquilo que pensamos e professamos", disse Jairo Jorge.
Luta dos umbandistas
O secretário especial da Coordenadoria das Diversidades e Comunidades Tradicionais, Rogério Ambieda, o Tigre, relatou o histórico de luta dos umbandistas em Canoas. "Essa celebração, que começou em 2006, traz consigo um histórico de luta. Naquele período, o Poder Público negou o acesso aos religiosos ao Parque Capão do Corvo", disse o secretário.
"O Município de Canoas é o único que tem um órgão legítimo que acolhe as comunidades tradicionais de terreiro. Essa Coordenadoria é o espaço de representação dessas centenas de comunidades", enfatizou Ambieda.
Segundo ele, a comemoração ao Dia de Oxóssi e ao patriarca Zélio Fernandino de Moraes, simboliza o respeito e a valorização à doutrina Umbanda, e à luta pelos direitos, pela liberdade e tolerância.
Povo de Terreiro
O representante do Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Canoas, Pai Charles de Oxalá, falou sobre a criação da entidade, que em fevereiro terá votação no Legislativo. "Esse órgão irá criar novas políticas públicas, direitos e deveres, em defesa ao povo de terreiro de Canoas".
Respeito e espaço
Representando o Legislativo de Canoas, o vereador Paulinho de Odé, saudou a todos os Caciques de Umbanda, babalorixás e yalorixás que estão na luta pelos direitos do povo de terreiro. Lembrou a trajetória da Uniaxés e a primeira Lei elaborada pelo então vereador Nelsinho Metalúrgico, atual deputado estadual.
"Nós queremos que o respeito e este espaço político, dentro de Canoas, continue, independentemente de quem seja o sucessor de Jairo Jorge", disse o parlamentar. Ele também coordenou o início do ritual umbandista no Capão do Corvo, após a solenidade de abertura.
Desafio
O deputado estadual Nelsinho Metalúrgico descreveu a alegria de encontrar o Parque Capão do Corvo repleto de umbandistas. "Essa comemoração nos ajuda, nos fortalece. Destacou o trabalho de Mãe Rose de Xangô, coordenadora geral do Movimento Uniaxés, no início da caminhada de lutas.
"Era um desafio para dar visibilidade para a Umbanda e para as religiões de matriz africana em Canoas. Época, em 2005, que um grupo pediu para fazer esse ato aqui no Capão do Corvo e foi negado", contou o deputado. Destacou a importância do surgimento de novas lideranças na defesa do povo de terreiro.
Parceria
A 10° Comemoração de Oxóssi e Zélio Fernandino Moraes conta com a parceria do Fórum Ilú Axé, União pelos Axés de Canoas; associações Remanescente de Quilombo Chácara das Rosas, Universalista Luz de Aruanda e dos Umbandistas de Canoas; e Fórum de Matriz Africana de Canoas e Capoeira Angola Tradição
Histórico
O Dia Municipal de Oxóssí e Zélio Fernandino de Moraes foi instituído pela Lei Municipal 5.050/2006. Na Umbanda, Oxóssi é considerado patrono da linha dos caboclos, atuando para o bem-estar físico e espiritual dos seres humanos.
Segundo a religião, Oxóssi é figura representativa de uma das sete forças principais de Deus: a força da luta, do trabalho, da providência e da afirmação positiva. E Zélio Fernandino de Moraes é o fundador da Umbanda, criada em 15 de novembro de 1908, no Rio de Janeiro.
Homenageados
Mãe Carmem da Cabocla Iara
Carmem Matteo Carvalho começou a relação com a tradição umbandista na infância. Sua família era frequentadora do Terreiro do Cacique Bi de Ogum Megê, tradicional na Ilha da Pintada. Foi iniciada na Umbanda, na década de 80, tendo como sacerdotisa (Cacique de Umbanda) sua mãe carnal, a Cacique Cléia do Caboclo Ogum Iara. Mãe Carmem permaneceu sob as bênçãos da mãe até que a mesma fizesse a passagem. Mãe Carmem fundou Centro Espírita de Umbanda em 9 de julho de 1992. Ela referencia, como principal dádiva recebida através da fé umbandista, a cura de um câncer há 20 anos. Em toda a trajetória de caridade, amor e fé às pessoas e à Umbanda, Mãe Carmem tem como lema: "União faz a força e a força faz o poder‘'.
Mãe Nete de Oxum
Ivonete Pereira Duarte começou a trajetória religiosa em 1968 no Terreiro de Mãe Tereza do Cacique Arranca Toco, no Bairro Rio Branco. Mãe Nete permaneceu sob as bênçãos de Mãe Tereza até a passagem da mesma. Foi iniciada, em 1975, na tradição de Matriz Africana no axé de Mãe Mila de Ogum, Nação Cabinda, terreiro tradicional do Bairro Rio Branco. Ao longo dos 46 anos de tradição afro-umbandista, presenciou vários milagres. Destaca a cura que sua Preta Velha concedeu às gêmeas que foram desenganadas pelos médicos e, após consulta espiritual com a entidade, as crianças receberam o milagre da cura. Mãe Nete tem como lema: "Enquanto existir a sagrada natureza e todas as ervas, folhas e chás, Deus sempre poderá mais.''
Mãe Silvina de Oiá - Caboclo Rompe Mato
Silvina Cardoso Soares começou a trajetória religiosa aos 12 anos, em 1954, em Rosário do Sul, sob a condução espiritual do Cacique Ari do Caboclo Junco Verde. Mãe Silvina de Oiá Caboclo Rompe Mato, começou na tradição de Matriz Africana aos 22 anos no Axé de Pai Idi de Xangô, Nação Jêje-Ijexá. Passou para o Axé de Mãe Catarina de Ogum, onde permaneceu até o momento da passagem de Mãe Catarina. Mãe Silvina, ao longo de 61 anos de tradição religiosa afro-umbadista, já acolheu milhares de pessoas que passaram pelo seu terreiro que foi fundado 5 de março de 1990, na Avenida Rio Grande do Sul, 3.480. Neste processo, já presenciou vários milagres. Um deles envolve a salvação do nascimento da filha Solange dos Santos, trazida à vida por Pai Ogum Rompe Mato. O lema de Mãe Silvina é: "A paz para todos (as) e trabalhar para o bem sem olhar a quem''.
Pai Mozart de Iemanjá
Nasceu na cidade de Esteio, onde se iniciou na Umbanda em 1967, no Centro Espírita de Umbanda Senhor do Bom Fim - Fraternidade de Ogum Malê. Foi coroado Cacique de Umbanda em 1974 com o Caboclo Ogum Rompe Mato. Em 1988 Pai Mozart de Iemanjá fundou a Casa de Iemanjá - Centro de Religião Afro-brasileira, em Porto Alegre. É o diretor social da Afrobras - Federação da Religião Afro-brasileira, desde 1997.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234