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Em uma demonstração de fé, respeito e fraternidade, a 9ª Procissão em Homenagem à Ogum e São Jorge mobilizou centenas de devotos, que percorrendo várias ruas do Centro de Canoas, na noite desta sexta-feira (22). A caminhada coletiva partiu da Praça do Avião, por volta das 20h30, e culminou com um ato solene, religioso e cultural, no ginásio do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita. Esse ato foi marcado pela entrega do Troféu Guerreiros da Paz às lideranças religiosas, entre outras atrações, e se estendeu até próximo das 23h.
Essa manifestação, que já é tradicional na cidade, contou com a presença de lideranças e autoridades de expressão, como o Padre Darley José Kummer, pároco da Paróquia São Luis Gonzaga e Vigário Episcopal de Canoas; a vice-prefeita da cidade, Beth Colombo, e respeitados umbandistas, como o Pai Nico de Ogum, um dos homenageados da noite.
A 9ª Procissão em Homenagem à Ogum e São Jorge é uma realização da Prefeitura de Canoas, por meio da Coordenadora das Diversidades e Comunidades Tradicionais, em parceria com o Conselho Municipal do Povo de Terreiro e comunidades religiosas locais.
"Quando encontramos tanta gente aqui, mesmo sob chuva, a intolerância está diminuindo e vai sumir em nossa cidade. Canoas está no caminho certo", declarou a vice-prefeita Beth Colombo".
Fé e devoção
A partir das 19h, os participantes, procedentes de todas as regiões da cidade, já começavam a chegar na Praça do Avião. Na medida que se concentravam na praça símbolo da cidade, comunidades de terreiros, devotos católicos e simpatizantes em geral eram saudados pelos líderes religiosos no local e também recebiam uma espada de São Jorge, como símbolo da procissão.
"Para nós, a morada de São Jorge está dentro de nosso coração. Nós já fomos perseguidos, por muito racismo e muita ignorância, e hoje, nossa religião está aí, mostrando que tem muito a ver com o Brasil. O dia de hoje é maravilhoso", declarou Pai Nico de Ogun, enquanto era cumprimentado por umbandistas que chegavam ao local.
Músicas em referência a Ogum e São Jorge aqueciam o clima, por meio de um caminhão de som. Uma roda de capoeira também integrava as atrações iniciais.
Por volta das 20h30, uma chuva fraca começou a cair, mas não intimidou as centenas de pessoas que já estavam na Praça. A partir de uma ordem, coordenada pela organização do evento, 16 cavaleiros da Hotelaria Querência se posicionaram à frente de camionete da Guarda Municipal, em que seria carregada a estátua de São Jorge durante a procissão. Liderando a cavalaria, o tradicionalista Perjo Costa Leite, caracterizado como São Jorge. Devoto desse santo, ele diz que é a primeira vez que realiza uma atuação desse tipo. "É o São Jorge Guerreiro! Como eu sou cavaleiro, faço parte de cavalgadas do mar e integro piquete. Para mim, é muito importante essa participação. É uma proteção", declarou.
Valores comuns
A chuva ainda prosseguia quando a procissão teve início. Após rezarem um Pai Nosso Coletivo, sob os devotos partiram da Rua Frei Orlando, seguindo pela Rua 15 de Janeiro, principal via do Centro. Logo atrás dos cavaleiros e do carro da estátua, os centenas de participantes, a maioria com trajes brancos, característicos da umbanda, seguiam com faixas e velas, protegidas por plásticos. Pelo comércio e condomínios do trajeto, os devotos saudavam as pessoas que assistiam a passagem da procissão, e eram correspondidos com acenos.
O secretário especial da Coordenadoria Municipal de Políticas das Diversidades e Comunidades Tradicionais, Rogério Ambieda, o Tigre, reitera que a procissão Ogum e São Jorge é um momento de celebração e valorização a um elemento importante na história do Brasil, que é o sincretismo (reunião de doutrinas ou cultos diferentes, com a manutenção das doutrinas originais).
"Esse é um evento que já faz parte do calendário oficial do município. Se em Salvador, na Bahia, a lavagem da Igreja de Bom Fim é a principal celebração daquele Estado, que valoriza o sincretismo; aqui no Rio Grande do Sul, em Canoas, a Procissão de Ogum e São Jorge talvez seja uma das maiores, senão a maior, atividade tradicional do RS, que valoriza esse elemento importante na história do Brasil, além de fortalecer uma cultura de paz em nossa cidade", avalia.
Para o Padre Darley Kummer, que acompanhou todo o trajeto com os demais devotos, São Jorge é uma expressão de valores e de vida.
"São Jorge foi um homem exemplar. É o grande símbolo de que atitudes que usam o mal contra o ser humano, jamais têm poder sobre aqueles que têm a fé. O seu brasão, o seu escudo e a sua lança simbolizam também essa fé. Essa caminhada comum representa paz, harmonia e fraternidade. São valores acima das diferenças religiosas, estamos aqui celebrando a vida", disse ele, ainda na caminhada.
Homenagens
Após atravessar a rua Domingos Martins, a procissão entrou pela Rua Caramuru, chegando, em seguida, até a esquina da rua Caetés, no ginásio do Sindicato dos Metalúrgicos, onde finalizou a caminhada, por volta das 21h30.
Em seguida, teve início no local o ato inter-religioso e a solenidade oficial com a presença de líderes e autoridades políticas. Na ocasião, foi entregue do Troféu Guerreiros da Paz, sob a coordenação do vereador líder religioso Paulinho de Odé. Foram agraciados com essa homenagm as lideranças Pai Nico de Ogum, Dona Neusa de Ogum e ao secretário municipal Segurança Pública e Cidadania, Alberto Kopittke. Também receberam certificados todos pais e mães de santo presentes no evento.
O ato foi seguido pela apresentação da cantora Caroline Caramão e o percussionista Mimo Ferreira, dupla que gravou um CD de contos, reza e milongas dedicados a Ogum e São Jorge. Sorteio de brindes e exposições de roupas e artefatos afro e afro-umbandistas também marcaram o evento. No final, foi realizado um rito de Umbanda em homenagem a Ogum e São Jorge.
Também prestigiaram o evento o vereador Sidiclei Mancy, secretários de governo e outros gestores públicos municipais.
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