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Tony Capellão
Parque terá módulos para todas as religiões e o primeiro a entregue é o das religiões de matriz africana
O prefeito Jairo Jorge e a vice Beth Colombo encerraram sua gestão na Prefeitura de Canoas com a inauguração da primeira fase do Parque da Paz, no final da tarde de sexta-feira (30). Essa foi a última obra de um total de 835 entregues à comunidade entre 2009 e 2016. O ato foi, também, um momento de despedida e de agradecimentos e celebrou o respeito à liberdade de culto religioso.
O Parque da Paz é uma iniciativa da Coordenadoria da Diversidade, com apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Localizado à beira do Rio Gravataí, na Rua Ari Dias Ferreira, no Bairro Niterói, o parque ocupa uma área de 64 hectares. Será um parque inter-religioso com pórtico, estacionamento para 55 vagas, praça de alimentação, lojas, play groud e anfiteatro. Terá módulos para todas as religiões e o primeiro a entregue é o das religiões de matriz africana.
Primeira fase
Na primeira etapa, foram executados demarcação topográfica, manejo vegetal, aterramento da área, guarita e banheiros de contêiner, trilhas que levam ao círculo de matriz africana, construção e colocação das três primeiras de 12 esculturas - dos orixás Bará, Iansã e Ogum. As obras foram executadas pelo artista plástico uruguaio Pedro Saenz.
O investimento é de R$ 1,44 milhão, provenientes de contrapartida de empresas por empreendimentos realizados no município. Também receberá recursos do Fundo da Orla do Rio Gravataí.
Compromissos cumpridos
O prefeito Jairo Jorge manifestou sua satisfação em deixar uma cidade diferente em oito anos de governo, lembrando que já haviam sido entregues outros três parques - da Figueira, a duplicação do Capão do Corvo e o Parque dos Rosa. Afirmou que o Parque da Paz será um espaço de integração e representa um dos compromissos assumidos com os praticantes de religiões de matriz africana, que incluem a criação da Coordenadoria das Diversidades e Comunidades Tradicionais e a implantação de políticas públicas de valorização de todas manifestações e credos religiosos.
Jairo também expressou alegria por estar acompanhado de Beth na despedida, reconheceu que há muito para ser feito na cidade e disse que sente orgulho por ter os canoenses como "parceiros, amigos e caminhantes da mesma jornada." Também desejou a todos um 2017 de prosperidade e realizações.
"Raiz que fica"
Obstinação e coragem foram palavras comuns nos discursos sobre a iniciativa do Parque da Paz. Beth Colombo lembrou que, em vários momentos as religiões uniram-se para pedir por Canoas. Disse que o Parque da Paz deixa de ser projeto e começa a virar realidade e pediu a todos que sejam guardiões do espaço.
Emocionado, o vereador Paulinho de Odé recordou as ações de Jairo para garantir espaço e valorizar os afro-umbandistas. Fez, ainda, um tributo a ícones na luta pela igualdade racial, como Nelson Mandela, Martin Luther King e Zumbi dos Palmares e a lideranças religiosas de matriz africana. A presidente do Uniaxés, Mãe Rose de Xangô, entregou uma placa de reconhecimento a Jairo.
Para o presidente do Conselho Estadual do Povo de Terreiro, Baba Diba de Iemanjá, nesta época de retrocesso nos direitos de igualdade de intolerância religiosa, a implantação do Parque da Paz "é uma raiz que fica para orientar o povo de terreiro a seguir sua luta."
O secretário especial da Coordenadoria de Políticas das Diversidades e Comunidades Tradicionais, Fábulo Rosa, fez um reconhecimento à luta pela criação do parque, iniciada na gestão de Rogério Ambieda, o Tigre.
O secretário do Meio Ambiente, Carlos Todeschini, explicou que o parque também servirá para a regulação hídrica do Rio Gravataí, já que as nascentes serão preservadas, assim como a vegetação, evitando inundações.
Participaram do ato a representante do Conselho Municipal do Povo de Terreiro, Bianca Hilgert, praticantes de religiões de matriz africana e secretários municipais.
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