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Quem olha o Bruno com um sorriso despreocupado no rosto não imagina como foi árduo o seu processo de transição de gênero. Quando nasceu, recebeu da família o nome de Cíntia Beatriz Popko, mas a dificuldade em se aceitar dentro do próprio corpo pautou toda a sua infância e adolescência. Atualmente, Bruno Henrique Popko tem o título de 1° Mister Trans do Encontro Regional Sul de Travestis e Transexuais e abriu a categoria de Mister Trans de Passo Fundo. No dia 16 de setembro, Bruno vai representar a cidade de Canoas no concurso Mister Diversidade RS 2017, no município de Cruz Alta.
Apesar das dificuldades encontradas no caminho, Bruno ressalta o quão importante foi o apoio da família, desde que iniciou o seu processo de transição. "Na verdade, eu sempre soube que era trans, o que eu não sabia é que outras pessoas passavam pela mesma situação que eu e que existia um nome específico para isso", explica. Na infância, seu comportamento era mais natural e aceito no meio em que vivia, mas, conforme foi crescendo, precisou se enquadrar em um padrão imposto pela sociedade. "Por não me sentir bem comigo mesmo, eu era diferente de todas as outras meninas, não tinha vaidade, não gostava de comprar roupas, vivia em um mundo isolado". Foi então que Bruno começou a participar de um grupo de futebol, onde algumas das meninas eram lésbicas. Aos poucos ele foi se sentindo mais à vontade, mesmo sabendo que ainda não era este o seu caso. Começou então a sair em baladas LGBT e conhecer pessoas com diferentes realidades e gêneros. "O momento em que me descobri foi através do depoimento em um programa de televisão do João Nery, primeiro transhomem a ser operado, foi ali que soube exatamente quem eu era", ressalta.
Bruno conta que começou o seu processo de transição de maneira equivocada, e destaca os perigos de não procurar ajuda profissional. "Mesmo ainda sendo um tabu, hoje é possível buscar mais informações sobre o assunto. Percebi que, a partir deste ano, a transexualidade começou a ser melhor tratada na grande mídia, principalmente agora com a novela da Rede Globo. Procurar ajuda é fundamental para iniciar um processo de transição e aceitação", salienta.
Casado, hoje com 34 anos, Bruno fica contente com toda a visibilidade que está tendo. "Antes da transição eu era uma pessoa retraída, hoje estou sendo reconhecido por uma luta muito importante para a sociedade. A sensação de ser diferente hoje, para mim, é motivo de muito orgulho", enfatiza.
Juntamente com a esposa Aline Popko, Bruno faz parte do Conselho Municipal LGBT de Canoas. Além disso, com o objetivo de auxiliar outras pessoas que passam pela mesma situação, ele fundou um grupo de apoio para homens trans, chamado de Os Super Homens. Questionado sobre as suas expectativas com o concurso, que tem como principal critério de avaliação a militância do candidato, ele revela a intenção de buscar ainda mais visibilidade para toda a comunidade LGBT. "A faixa que posso usar deve representar toda a luta que estamos inseridos, colocando em evidência nossos direitos dentro da sociedade", finaliza.
Dia da Visibilidade Lésbica
Para celebrar a data em Canoas, a Diretoria das Políticas das Diversidades e Comunidades Tradicionais da Prefeitura de Canoas, em parceria com o Conselho Municipal LGBT, esteve durante esta terça-feira (29) distribuindo material informativo, apresentando dados sobre violência contra lésbicas e partilhando vivências e experiências no Calçadão do Centro da cidade.
O Dia da Visibilidade Lésbica faz referência à data do 1º Seminário Nacional de Lésbicas e Bissexuais (Senale), ocorrido em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro. O diretor Saulo Gil destaca a importância de trazer este debate para um ponto tão movimentado da cidade. "A mulher lésbica sofre um preconceito ainda maior e uma violência com mais requintes de crueldade. Estes dados precisam ser expostos, de maneira a conscientizar a sociedade como um todo", ressalta Saulo.
Participando do evento também estavam Bruno e a esposa Aline, atendendo a população que passava pela tenda montada no calçadão. O diretor Saulo, além de estar na torcida por Bruno, se colocou à disposição do casal no apoio à luta LGBT. "Estamos estudando uma forma de oferecer cursos de capacitação para os integrantes do grupo de apoio formado pelo Bruno, uma maneira de inserir estas pessoas, muitas vezes excluídas da sociedade, no mercado de trabalho", revela o diretor.
Programação
Também nesta terça, às 19h30, a enfermeira e residente em Saúde da Família, Patrícia Ana Muller, ministra a palestra: "A história da Saúde da Mulher Lésbica e Bissexual: Cidadãs de Direitos".
O evento é na Casa dos Conselhos (Avenida Guilherme Schell, 6068) e a entrada é gratuita.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234